A propriedade intelectual e a apropriação aduaneira

Novas leis estão sendo aprovadas em alguns países contra o terrorismo, permitindo aos fiscais aduaneiros confiscar computadores, vistoriar arquivos, solicitar senhas de arquivos criptografados, fazer copias de discos, dispositivos de memória flash, ipods e inclusive papéis e documentos, sem dar nenhuma explicação sobre o motivo, inclusive sem data para devolução dos equipamentos apreendidos, além disto eles estão autorizados a enviar estes dados a terceiros sem qualquer critério específico.

Como se um terrorista fosse entrar no território de destino dele com o seu notebook cheio de arquivos do tipo “meus planos para derrubar as duas torres.doc” ou “meus arquivos secretos terroristas criptografados”. É obvio que qualquer terrorista irá esteganografar os seus dados em imagens de criancinhas brincando ou arquivos da cruz vermelha, mas quanto a isto não é meu mérito tirar a razão destes países.

A questão que me preocupa mais é a propriedade intelectual, com esta lei eles removeram o direito do cidadão de transitar com qualquer tipo de segredo industrial entre as bordas dos países, pois, imagine um cientista levando uma descoberta a algum destes países, tendo seu computador analisado o que será que o governo irá fazer com estes arquivos? Esquecer ou enviar para um laboratório que possa utilizar e até patentear a descoberta antes mesmo do próprio cientista poder voltar ao país com os dados e dar entrada numa patente?

Com esta lei é declarada o fim da propriedade intelectual e dos segredos industriais, agora qualquer país com princípios semelhantes poderá se apoderar de todos os dados passando por suas bordas e fazer o uso que quiser destas informações sem discriminação, tudo a favor da guerra contra o terror! Tio Sam quem o diga!

Por isto a partir de agora ao ir para algum pais com leis semelhantes vou comprar um Asus EEPC e deixar limpinho, se quiser alguma coisa vou baixar do meu bucket da Amazon S3, que também estará sendo movido para a Amazon Europa em breve para garantir maior segurança dos meus dados.

Outra coisa é incluir no contrato de trabalho dos meus funcionários uma clara proibição de deixar o país com propriedade intelectual, além de computadores e qualquer documento ou dispositivo de mídia já utilizado para trafegar dados de propriedade da empresa, mesmo criptografados.

E mais um passo para o fim dos direitos civis.

US Courts Consider Legality of Laptop Inspection

A cultura do couvert

O Couvert pode ter alguns significados, mas o que me refiro é aquelas comidas servidas no ato em que você entra no restaurante, sem que solicite nada já lhe é servidor alguma coisa para ir “beliscando”.

Eu sou completamente louco por gastronomia, adoro conhecer lugares novos, comidas exóticas, gostos e costumes, além de curtir muito, mas muito mesmo cozinhar.

Uma das coisas que eu sempre achei o mais importante na experiência gastronômica de se ir a um restaurante é a presença do couvert, eu acho muito bom já ter o que comer no momento em que se pisa no lugar, pois diminui a ansiedade de se pedir logo alguma coisa para ter o que fazer, afinal é horrível ficar esperando enquanto tem um monte de gente comendo, e você olhando para teto.

Esta entrada, no geral pode ser qualquer coisa, nas pizzarias pode ser uns pedacinhos de pizza torrada com tempeiro, pão, bem, o que for, o interessante é que cada país tem seu próprio costume:

  • No México são servidos tacos com pimenta
  • Na Argentina pães com vários, mas vários mesmo tipos de patê
  • Na Europa é só pão, sem nada, aparentemente os europeus não gostam de pão com qualquer coisa, costumam comê-lo puro.
  • Nos outros países hispânicos é sempre pão com manteiga, que esta também é uma arte servir, pois é um problema a questão da temperatura, se esta muito quente parece margarina e ninguém gosta, e se está muito fria não da para untar no pão. Quase sempre servem muito fria.
  • No Brasil existe a maior variedade de couverts, mas o interessante é que no Sul do Brasil esta cultura é quase inexistente, todos os bons restaurantes não servem nenhum tipo de couvert, eles tem esta mentalidade de que a pessoa irá se satisfazer e comer menos, quando na realidade é o oposto, a pessoa acaba comendo mais.
  • Em São Paulo (não é um país mas culturalmente é um sim) também é mais presente a cultura dos patês e alguns tipos de pães preparados na hora na maioria dos restaurantes tradicionais, descontando os de etnias que estes seguem as tradições dos seus países
  • Os Americanos não entram nessa lista pois eles são adeptos ao fast food, e então é desnecessário o couvert.. Existem alguns lugares normais mas não é cultura local deles e sim lugares chamados de cozinha internacional.

Estou com saudades da minha casa e de cozinhar, hehehe por isto o post.

O Enigma da distribuição de homens e mulheres nos voos comerciais

Eu sempre me indaguei por que dificilmente sento próximo a uma mulher interessante ou pelo menos que seja possível conversar em uma das centenas de voos comerciais que já peguei, o fato é que somente uma vez, e indo para a Colombia, isto aconteceu, todas as outras vezes sempre parei do lado de casais, vovos, tias gordas e chatas, e gente muito estranha.

Ontem mesmo peguei um voo com 2 nazis do meu lado com problemas em usar desodorante.

Pensando um pouco cheguei a conclusão de que inevitavelmente deveria parar em torno de 50% das vezes ao lado de uma mulher, esteja ela acompanhada ou não, criança, velha, vovó e por ai vai. Mas isto não acontece, meus calculos são de que 90% das vezes são homens ou familias.

Verificando o meu bilhete de voo notei que eles sempre identificam se é um homem ou uma mulher através da saudação: Mr. Contezini.

Com isto ainda ontem, decidi dar uma voltinha pelo avião, estava nas primeiras poltronas e oportunamente fui utilizar o banheiro do fim do avião. Contei cada situação em que existia um homem e uma mulher sentados lado a lado, e que pareciam desconhecidos. Notei que são praticamente nulas estas situações, ou são familias inteiras viajando juntas, ou é um casal em que o homem vai na fila do meio, e do lado esquerdo vai um homem ou uma mulher. Ou são fileiras inteiras de homens e de mulheres convenientemente isolados.

Isto me leva ao seguinte questionamento: Será que o sistema que faz a gestão do booking das empresas convenientemente sugere sempre uma distancia entre homens e mulheres viajando sozinhos? A explicação que eu consigo ver é que para evitar transtornos com assédio, o sistema já trata isto separando homens e mulheres, sendo que quase todas usam o mesmo sistema para integração entre os diversos aeroportos e companhias, esta poderia ser uma função padrão!

Paranóia minha ou simplesmente falta de sorte? Vou notar nos próximos voos e tentar contar melhor!