O construtor de mundos
World Builder from Bruce Branit on Vimeo.
A quase um ano atrás, eu escrevi sobre o fim dos sistemas operacionais, já questionando se haveria um dia uma singularidade capaz de ser considerada uma inteligência artificial.
Ultimamente tenho estudado bastante tecnologias baseadas na computação nas nuvens, que nada mais é do que a representação prática da arquitetura SOA (Services Oriented Architecture) em ambientes distribuídos, ou seja utilizando-se da Internet para distribuir a sua aplicação através de um padrão definido e capaz de prover fácil integração com outras aplicações já disponíveis online, assim adicionando funcionalidades a “nuvem” sem se preocupar com os detalhes de seu funcionamento.
Neste sentido, é muito fácil traçar um padrão de comportamento das aplicações disponíveis online com o comportamento de um ser inteligente.
A definição mais aceita de inteligência é: a capacidade de compreender o mundo a sua volta, aprender e evoluir com a experiência.
Isto é muito semelhante ao princípio das arquiteturas distribuídas, neste tipo de sistema, como o SOAP por exemplo, uma aplicação não precisa conhecer exatamente como a outra funciona, ela é capaz de aprender como uma informação pode ser requisitada ou enviada através de um padrão declarativo que pode ser facilmente compreendido como a transferência do conhecimento e da interação entre as partes (WSDL), ou seja, aprendizado.
No estágio embrionário em que estamos, os sistemas interconectados ainda não estão desenvolvidos o suficiente para tratarem todas as interações, mas a medida que sistemas vão sendo escritos em cima de outros sistemas, como uma pilha de funcionalidades que vão se tornando cada vez mais complexas, existe uma grande possibilidade que naturalmente uma inteligência artificial capaz de resolver qualquer problema a ela solicitada, seja criada.
Aqui eu falo de potencial, pois se existe a possibilidade de desenvolvermos infinitas aplicações, umas sobre as outras, interconectadas e capazes de se entenderem sem que alguém precise explicar exatamente o que elas precisam fazer em cada interação, há uma grande chance que um dia, ao se escrever uma quantidade gigantesca de funcionalidade, tenha-se criado modelos computacionais para resolver virtualmente qualquer problema, mesmo que inesperado, já que a interação entre as diferentes aplicações não precisa estar pré programada.
Apesar de ainda não existir um “index” compartilhado na nuvem com todas as funcionalidades já escritas por programadores, um dia este tipo de sistema será necessário para organizar a internet, mais ou menos como o Google fez para nós, nascerá um Google para as máquinas, capaz de fazer com que elas próprias possam encontrar as funcionalidades que elas precisem, na própria rede.
Num sistema complexo deste tipo, nascerão inúmeras aplicações escritas e desenvolvidas pelas próprias aplicações, estendendo suas funcionalidades a medida que seus usuários as necessitam, ficando cada vez mais conscientes do seu meio e capaz de aprender.
Nesse dia, acredito que teremos criado a nossa primeira AI de verdade, não como os livros e filmes de ficção cientifica nos mostram, e sim um sistema programado de modo determinístico, porém capaz de resolver uma quantidade tão grande de problemas, que o torna tão inteligente quanto nós mesmos, afinal não passará do conhecimento condensado por milhões de programadores e gerações de conhecimento.
É um horizonte de eventos extremamente possível, já que baseia-se em algoritmos em funcionamento, sem ficção nem teorias ainda a serem implementadas.
Este série tem se provado cada dia mais o título de uma das melhores séries já feitas de SCI-FI.
Conteúdo denso, histórias complexas e muita, muita tecnologia.
No último episódio achei impressionante a manifestação do ódio do Cylon a sua criadora, uma dos 5 modelos finais que vão dar fim a trama da série, por ter sido convertido em uma máquina orgânica.
Nessa hora tive certa inveja das máquinas ao pensar em qual seria a sensação de uma pessoa com as capacidades citadas alí, tanto que resolvi postar no youtube e compartilhar aqui para que outras pessoas também possam compartilhar esta experiência:
Esta semana tem sido uma terapia de louco tecnológica para mim.
Por motivos alheios a minha vontade, tive que fazer o down-grade de uma instalação do Xorg em um projeto que estou trabalhando. Até aí a solução para o problema seria relativamente simples, baixar os fontes (sim, eu preciso compilá-los por mim mesmo, pacotes prontos não servem) e rodar o mesmo script que eu havia construido para a ultima versão. O fato é que os caras mudaram *TUDO* de uma versão para a outra, desde a interface de drivers, tornando as centenas de drivers de vídeo disponíveis simplesmente inúteis, até a raiz de dependências.
Quando eu comecei a utilizar sistemas operacionais baseados em Unix, isto em 1996, a instalação do X era considerada algo complexo: você baixava 4 pacotes gigantes via dial-up, que poderia levar dias, baixava um “helper” script para compilar, e iniciava o processo que no meu Pentium 133 com 32 MB’s de ram demorava em torno de 20 horas.
Doze anos depois, o procedimento que deveria ter evoluído um pouco com o tempo, demorou em torno de 4 dias, com uma maquina 20 vezes mais rápida, dos 4 pacotes que eram na época hoje são em torno de 200, com nomes impossíveis de entender como: font-misc-misc-1.0.7 ou libXxfvm86.
Além disto, a raiz de interdependência que era basicamente: biblioteca -> server -> client -> aplicativos, se tornou tão grande que é impossível fazer na mão te obrigando a gerar um script de instalação que demora 2 horas para rodar cada vez que você quer testá-lo.
Se não bastasse isto, o infeliz que fez os arquivos de compilação tem utilitários com nomes do tipo: t isso mesmo, a letra T, como você vai adivinhar que o utilitário de letra T na verdade é o bdftopcf ?
Neste momento eu me pergunto se estamos evoluindo realmente ou se não passa de uma falsa sensação de evolução tornando coisas que antes eram extremamente simples em atividades complexas.
O exemplo acima pode ser algo muito técnico para a maioria então é até aceitável em termos de complexidade, mas deixe-me continuar com a história da semana:
Estou precisando escanear um documento para mandar pra Taiwan, aqui em casa possuo uma HP Photosmart C5180 series, uma das mais novas impressoras da HP, totalmente voltada pra networking. Um usuário comum deveria ser capaz de utilizá-la sem ter que entender muito de computadores certo? Afinal é um equipamento high-end mas não profissional, para uso doméstico.
A primeira coisa interessante a se notar é, por que ela se nega a imprimir a cor preta quando falta o amarelo? Bem, ela simplesmente se negou a imprimir. Ok deve ter algo haver com a construção do seu hardware. Mandei imprimir na empresa, peguei o papel e voltei para casa feliz da vida afinal bastava somente escaneá-lo devido a minha assinatura nele, e depois enviar por email.
Bem, eu utilizo Mac, e fui tentar escanear utilizando o software que veio com ela para o macosx, e ao tentar usar o tal HP Scan Pro, segue a mensagem que ele me diz: O programa pode estar instável. É recomendável que o programa seja fechado e reiniciado.
Que tipo de erro é este? Como assim instável? Se ele esta instável e se detecta isto como que ele não é capaz de tomar alguma atitude para evitar isto? E mais, como supostamente um usuário caseiro é capaz de resolver este problema? Uma tecnologia para usuário final deveria ser capaz de pelo menos guiar o usuario para o suporte online, mas não, ele me da este erro eternamente e ao clicar na ajuda ele me manda pra www.hp.com, nem sequer pra alguma pagina já identificando que preciso de suporte.
Resumo da história, baixando drivers novos para ver o que acontece: 300 mbs de drivers e inutilitários.
Terceira situação: Meu padrasto esta tentando acessar com o seu notebook o netbanking da caixa econômica pela primeira vez, meu irmão como bom samaritano da tecnologia, o instruiu para utilizar Firefox ao invés do Internet Explorer, sabiamente para evitar que seu computador se torne uma colônia de virus e malware, já que ele é o único usuário de windows XP da casa, minha mãe utiliza o Ubuntu a quase 2 anos e é livre deste mal.
Bem, ao tentar se cadastrar na caixa você é perguntado para instalar um plugin chamado G-buster Browser Defense, um plugin desenvolvido por uma empresa nacional chamada GAS tecnologia.
Toda vez que você tenta baixar da um erro de URL quebrada para o plugin, ficando em um loop eterno entre o banco pedindo pra instalar, e você clicando para instalar recebendo o erro de URL inválida.
Com o IE o erro é pior, ele não chega a achar o sistema de segurança necessário simplesmente ficando parado na tela de login do banco.
E usuários finais deveriam utilizar o serviço da caixa economica certo?
Acho que tem algum erro sério na Matrix e eu vou ser ejetado daqui a pouco acordando em algum lugar cheio de melecas estranhas e robôs gigantes.
Com esse problema da enchente aqui em Santa Catarina, uma das coisas que não dá para deixar de pensar é, que a cada ano mais e mais desastres naturais estão acontecendo no planeta, e com a ajuda do homem através do aquecimento global a tendência é que cada vez as coisas fiquem piores.
Até quando vamos conseguir sobreviver num planeta que age radicalmente contra o nosso domínio, quase como um organismo que tenta expelir uma infecção?
Por mais otimista que eu tente imaginar o futuro, não consigo pensar que sobreviveremos aqui por mais um século sequer.
Neste contexto, eu imagino que a melhor solução para que nossa espécie não seja extinta é nos mudarmos para outro lugar, mas para onde? O próximo planeta “habitável” fica a 20 anos luz e não temos tecnologia nem para alcançar a atmosfera com total segurança.
Acredito que a solução mais viável será a que já foi envisionada no anime Gundam Wing.
Este desenho fala sobre um futuro remoto, onde o homem criou gigantescas colônias espaciais ao redor da terra como satélites naturais, com toda a infra-estrutura para se viver e sem as adversidades da terra.
Assim poderiamos deixar a terra se recuperar, para no futuro após aprendermos como sobreviver em harmonia com a natureza podermos colonizar a Terra corretamente.
Da forma como vejo hoje, nossa civilização está condenada a extinção se não encontrarmos uma solução para o que estamos fazendo.
O fato é que se não aprendermos a usar nossos recursos racionalmente, nem teremos como desenvolver a enorme quantidade de tecnologia necessária para a nossa perpetização. Hoje trocamos nossos carros quase todos os anos, mas ninguém se pergunta daonde vem o metal que é usado neles, e para onde vai depois.
Não reciclamos muita coisa dos carros, nem de nada na realidade, sempre penso que deveria haver uma cota por pessoa de recursos naturais usados, assim alguém não poderia comprar outro carro sem garantir que o seu antigo seja reciclado corretamente ou pelo menos vendido a alguém que se comprometa a fazê-lo.
O mesmo acontece com o nosso lixo doméstico, quase tudo poderia ser reaproveitado, mas preferimos mandar para lixões e criar areas nocivas para a nossa saúde.
Com o fim do ano e proximidade do meu aniversário tendo a pensar mais nas razões para as coisas existirem.
Como diz o Jobs, a vida é sobre conectar os pontos. O problema é conseguir enchergá-los!
O IRC era um tipo de comunicação que hoje já não é possível nas interfaces de comunicação atuais, agora a privacidade é um dos princípios do “novo mundo”.
Apesar de isso ser um caminho benéfico para todos, faz falta.
Faz falta conhecer desconhecidos e encontrar gente sem ter que necessariamente conhecê-las e pedir autorização pra falar com elas.
É a privacidade.. malditos spammers, lammers e packet kiddies.
For the changes to become true,
one must feel the pain of
the blade cutting the thin skin,
to the blood clean the mindless soul.
Then a soulless mind can truly arrive.
Hoje eu acordei pensando em algumas coisas que eu não entendo:
São dúvidas, logo não tem explicação.
Eu sempre me perguntei se eu realmente sou um cara viciado em Internet, ou se é uma necessidade imposta pelo meu estilo de vida.
Um calculo rápido me deu 84 horas de internet por semana, o dobro da media mundial e brasileira. Clinicamente eu posso ser diagnosticado um viciado, pois antes mesmo de ligar a luz do quarto eu prefiro a luz do LCD, e antes de escovar os dentes pela manhã eu vejo os meus emails e feeds mais importantes.
Mas a questão é, o que tem de errado num estilo de vida assim? É artificial? Superficial? Eu acho muito cedo para podermos avaliar este tipo de coisa, pois essas mudanças impostas pelo desenvolvimento tecnologico ainda não foram analisadas por alguém que esteja fora deste contexto, todos estão dependentes do mundo digital mesmo sendo alheios a este movimento, e as pessoas que assumem o papel imersivo dos hábitos deste mundo novo podem ser classificadas como viciados, por aqueles que não fazem a mínima idéia do por que passamos tanto tempo conectados.
Como podem os “especialistas” em dependencia classificar-nos como viciados, quando estamos pisando em um territorio absolutamente inexplorado por eles? Eles não fazem idéia do que fazemos aqui além de passar muitas horas na frente dos nossos computadores, para eles conversarmos no MSN é nos escodermos atrás do computador com medo das pessoas do mundo exterior, mas quantos de vocês não tem tantos amigos online quantos fora? E muitos deles primeiramente foram descobertos pela Internet, e depois se tornaram amizades reais e de valor?
Na minha opnião é exatamente o oposto, a rede nos conecta as pessoas, faz conhece-las de uma forma que jamais teriamos conhecido, de formas diferentes, acho que a distancia nos retira a mascara da vergonha, da timidez, nos faz sermos quem realmente somos ou queremos ser, sem o medo do julgamento e da reação das pessoas.
Folha de São Paulo com seus julgamentos incorretos pra variar