Será a computação nas nuvens a primeira inteligência artificial?
A quase um ano atrás, eu escrevi sobre o fim dos sistemas operacionais, já questionando se haveria um dia uma singularidade capaz de ser considerada uma inteligência artificial.
Ultimamente tenho estudado bastante tecnologias baseadas na computação nas nuvens, que nada mais é do que a representação prática da arquitetura SOA (Services Oriented Architecture) em ambientes distribuídos, ou seja utilizando-se da Internet para distribuir a sua aplicação através de um padrão definido e capaz de prover fácil integração com outras aplicações já disponíveis online, assim adicionando funcionalidades a “nuvem” sem se preocupar com os detalhes de seu funcionamento.
Neste sentido, é muito fácil traçar um padrão de comportamento das aplicações disponíveis online com o comportamento de um ser inteligente.
A definição mais aceita de inteligência é: a capacidade de compreender o mundo a sua volta, aprender e evoluir com a experiência.
Isto é muito semelhante ao princípio das arquiteturas distribuídas, neste tipo de sistema, como o SOAP por exemplo, uma aplicação não precisa conhecer exatamente como a outra funciona, ela é capaz de aprender como uma informação pode ser requisitada ou enviada através de um padrão declarativo que pode ser facilmente compreendido como a transferência do conhecimento e da interação entre as partes (WSDL), ou seja, aprendizado.
No estágio embrionário em que estamos, os sistemas interconectados ainda não estão desenvolvidos o suficiente para tratarem todas as interações, mas a medida que sistemas vão sendo escritos em cima de outros sistemas, como uma pilha de funcionalidades que vão se tornando cada vez mais complexas, existe uma grande possibilidade que naturalmente uma inteligência artificial capaz de resolver qualquer problema a ela solicitada, seja criada.
Aqui eu falo de potencial, pois se existe a possibilidade de desenvolvermos infinitas aplicações, umas sobre as outras, interconectadas e capazes de se entenderem sem que alguém precise explicar exatamente o que elas precisam fazer em cada interação, há uma grande chance que um dia, ao se escrever uma quantidade gigantesca de funcionalidade, tenha-se criado modelos computacionais para resolver virtualmente qualquer problema, mesmo que inesperado, já que a interação entre as diferentes aplicações não precisa estar pré programada.
Apesar de ainda não existir um “index” compartilhado na nuvem com todas as funcionalidades já escritas por programadores, um dia este tipo de sistema será necessário para organizar a internet, mais ou menos como o Google fez para nós, nascerá um Google para as máquinas, capaz de fazer com que elas próprias possam encontrar as funcionalidades que elas precisem, na própria rede.
Num sistema complexo deste tipo, nascerão inúmeras aplicações escritas e desenvolvidas pelas próprias aplicações, estendendo suas funcionalidades a medida que seus usuários as necessitam, ficando cada vez mais conscientes do seu meio e capaz de aprender.
Nesse dia, acredito que teremos criado a nossa primeira AI de verdade, não como os livros e filmes de ficção cientifica nos mostram, e sim um sistema programado de modo determinístico, porém capaz de resolver uma quantidade tão grande de problemas, que o torna tão inteligente quanto nós mesmos, afinal não passará do conhecimento condensado por milhões de programadores e gerações de conhecimento.
É um horizonte de eventos extremamente possível, já que baseia-se em algoritmos em funcionamento, sem ficção nem teorias ainda a serem implementadas.
Area de discussão - Deixa um comentário